RECITANTE
Estando ela entre uma porta e outra, ouviu
Ou julgou ouvir um fraco apelo: o menino
Chamava-a, não choramingava, chamava-a inteligentemente,
Pelo menos assim lhe parecia. "Mulher", dizia ele, "socorre-me".
E prosseguiu, não choramingava, falava inteligentemente:
"Sabe, mulher, quem ouve um grito de socorro
E faz ouvidos moucos e passa: nunca mais
Ouvirá o doce apelo de seu amado,
Nem o canto de melro na madrugada, nem o delicado
Suspiro dos vindimadores exaustos às "Aves-Marias".
(BRECHT. O círculo de giz causasiano. Cosac Naify, 2010. p. 74)
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